Março 17, 2026
Quando falamos de água, a maioria de nós pensa em rios, barragens ou no mar. No entanto, a grande reserva de água doce do planeta não está à superfície. Está no subsolo. Água potável vs água funcional é uma distinção cada vez mais relevante para quem quer perceber melhor o impacto da água na saúde e no ambiente. Nesta conversa com o hidrogeólogo Carlos Miraldo Ordens, exploramos o que distingue estas duas realidades e o que a ciência nos ajuda a compreender. Porque este tema é essencial para o futuro do planeta e o que realmente distingue uma água apenas potável de uma água que pode apoiar melhor a saúde humana.
Mais do que uma entrevista técnica, esta é uma reflexão sobre responsabilidade, ciência e escolhas conscientes.
O que é a água subterrânea e porque é tão importante
A hidrogeologia é o ramo da ciência que estuda a água abaixo da superfície terrestre. Nos aquíferos, formações geológicas onde a água se acumula e circula lentamente, encontra-se cerca de 99% da água doce líquida do planeta.
Esta água pode ter semanas, meses ou milhares de anos. O tempo de permanência no subsolo influencia diretamente a sua composição química.
Enquanto a água superficial está mais exposta a variações rápidas e a contaminação direta, a água subterrânea interage com as rochas ao longo do tempo, dissolvendo minerais e adquirindo características próprias.
Além de ser uma reserva estratégica em períodos de seca, a água subterrânea alimenta nascentes e ecossistemas que dependem exclusivamente dela. Em várias regiões do mundo, comunidades inteiras vivem apenas desta fonte.
Água de nascente significa água pura?
Uma água de nascente é, tecnicamente, água subterrânea que emerge naturalmente à superfície. A sua qualidade depende do percurso que fez e das formações geológicas com que esteve em contacto.
Pode apresentar excelente qualidade. Mas pode também conter nitratos, bactérias, excesso de flúor ou até radioatividade natural, dependendo da região.
O facto de ser natural não garante automaticamente que seja adequada para consumo humano. A única forma de determinar isso é através de análise laboratorial.
Água potável vs água funcional
Água potável é água que cumpre os parâmetros legais definidos para consumo humano. Isso significa que não representa risco imediato para a saúde. No entanto, os limites legais são estabelecidos com base em critérios que nem sempre acompanham a evolução científica mais recente. Além disso, muitos parâmetros avaliam risco agudo e não necessariamente exposição crónica a longo prazo.
Outro ponto importante é o tratamento da água. Para garantir segurança microbiológica na rede de distribuição, são utilizados desinfetantes como o cloro. Embora essenciais para o sistema, esses compostos não são necessariamente ideais para consumo diário continuado.
Quando falamos de água funcional, referimo-nos a uma água cuja composição foi otimizada para apoiar melhor os processos fisiológicos do organismo.
Aqui entram três parâmetros principais:
1. A composição iónica, que corresponde aos minerais dissolvidos na água, como magnésio e potássio.
2. O pH, que mede o grau de acidez ou alcalinidade.
3. O ORP, potencial de oxidação-redução, que indica o potencial antioxidante ou oxidante da água.
Estes fatores influenciam a forma como a água interage com o organismo e a eficiência do processo de hidratação.
O relatório à água VOA
No estudo realizado por Carlos Miraldo Ordens à água tratada pelos equipamentos VOA, foram avaliados parâmetros físico-químicos e composição detalhada antes e depois da filtragem.
Os resultados mostraram:
– Redução significativa de metais pesados e outros elementos potencialmente tóxicos.
– Diminuição de nitratos e compostos indesejáveis.
– ORP negativo, associado a potencial antioxidante.
– Aumento do pH para uma faixa considerada mais favorável.
– Incremento de minerais como magnésio e potássio.
Para o próprio investigador, o aspeto mais relevante foi a validação através de dados objetivos. Só a análise permite avaliar qualidade de forma credível.
Saúde individual e saúde do planeta
A conversa trouxe também uma dimensão ambiental.
A indústria da água engarrafada em plástico representa um impacto significativo, desde a produção até ao descarte. Microplásticos já são encontrados em ecossistemas e no organismo humano.
Como o Carlos refere: a saúde humana não pode ser dissociada da saúde ambiental. Não faz sentido procurar melhorar a qualidade da água consumida enquanto se contribui para a degradação dos ecossistemas.
Escolher sistemas mais sustentáveis é também uma decisão de responsabilidade coletiva.
Somos o que bebemos?
A qualidade da água influencia a qualidade da hidratação. A hidratação é central para praticamente todos os processos fisiológicos.
Ao mesmo tempo, a forma como gerimos e valorizamos a água influencia o equilíbrio dos ecossistemas.
A água que chega ao nosso copo percorreu um caminho complexo. Compreender esse percurso ajuda-nos a fazer escolhas mais conscientes.
Na VOA acreditamos que informação rigorosa é o primeiro passo para decisões responsáveis.
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