Junho 25, 2026
Podcast VOA · Alimentação consciente · Macrobiótica
Uma conversa com Dulce Costa, especialista em macrobiótica, fundadora da Escola de Saúde Integral Mil Grãos e autora do livro A Cozinha que Cura, sobre alimentação consciente, água, saúde integral e os gestos simples que sustentam o cuidado diário.
Há conversas que começam na alimentação, mas acabam por tocar em tudo: no tempo que temos, na forma como cuidamos do corpo, na água que bebemos, na pressa com que vivemos, na relação com a natureza e até na vontade de viver.
Foi por aí que caminhou esta conversa com Dulce Costa, especialista em macrobiótica, fundadora da Escola de Saúde Integral Mil Grãos e autora do livro A Cozinha que Cura.
Antes de se dedicar à saúde e à alimentação, a Dulce foi professora na área da engenharia. A mudança de caminho surgiu depois de um desafio de saúde que a levou a procurar respostas para lá da solução imediata. O que encontrou não foi apenas uma nova forma de comer. Foi uma nova forma de olhar para o corpo, para a cozinha e para a responsabilidade que cada pessoa pode assumir sobre a sua própria saúde.
Neste episódio do podcast VOA, falamos sobre alimentação consciente, macrobiótica, cozinha, água, saúde integral e escolhas diárias. Mas, acima de tudo, falamos sobre aquilo que tantas vezes esquecemos: cuidar de nós começa nos gestos mais básicos.
“A cozinha que cura não começa numa promessa milagrosa. Começa numa escolha simples, repetida todos os dias com um pouco mais de consciência.”
A cozinha como regresso ao essencial
Nesta conversa no podcast VOA, a Dulce fala da cozinha sem romantizar a vida moderna. Ela sabe que os dias são rápidos, que há trânsito, trabalho, filhos, cansaço, horários apertados e pouca margem para fazer tudo “como deve ser”. Mas talvez seja precisamente por isso que a cozinha importa tanto.
Porque cozinhar é uma forma simples — e ao mesmo tempo profunda — de voltar ao corpo.
Aquilo que comemos não fica fora de nós. Entra, transforma-se, alimenta células, energia, sangue, pensamentos, disposição. A comida é uma das formas mais íntimas de relação connosco. E quando deixamos de olhar para ela, deixamos também de reparar em sinais pequenos: o cansaço que se arrasta, a falta de vitalidade, o sono instável, a digestão difícil, a irritabilidade, a ausência de vontade.
A Dulce diz algo muito bonito nesta conversa: um dos primeiros sinais de doença pode ser a falta de apetite pela vida. Não apenas pela comida, mas pela experiência, pelo movimento, pela relação, pela curiosidade.
É aqui que a cozinha que cura começa: não como promessa milagrosa, mas como prática diária de presença.
Vê a conversa completa com Dulce Costa
Assiste ao episódio completo do podcast VOA com Dulce Costa, sobre macrobiótica, cozinha consciente, água e escolhas diárias.
A água também entra na receita
Há um ponto da conversa que abre uma reflexão essencial: a água não é apenas aquilo que bebemos. A água também é um ingrediente.
Está na sopa, no arroz, no pão, nos cereais demolhados, nas leguminosas, nos vegetais lavados, nas infusões, nas sobremesas e em quase tudo o que passa pela cozinha.
Muitas vezes, preocupamo-nos com a origem dos alimentos, escolhemos biológico, tentamos evitar processados, voltamos aos cereais integrais, às leguminosas, aos vegetais da época — mas esquecemo-nos da água que entra em contacto com tudo isso.
A Dulce começou a olhar para a água dessa forma quando percebeu que tinha cuidado com a alimentação, mas ainda não estava a dar à água o mesmo lugar de importância. A água com que demolhava os cereais, cozia as leguminosas, fazia sopa ou preparava pão também fazia parte do alimento final.
Foi esse olhar que a levou até à VOA. Para a Dulce, ter uma boa água em casa não é um detalhe. É base. Se a água está presente em grande parte do que bebemos, cozinhamos e comemos, então a sua qualidade deixa de ser uma questão secundária.
A água está em mais lugares do que pensamos
- Na sopa que fazemos para vários dias.
- No arroz, nos cereais e nas leguminosas.
- Nas demolhas que antecedem a cozedura.
- Nos vegetais que lavamos antes de cozinhar.
- Nas infusões, no pão e nas sobremesas.
- No banho, na pele, no cabelo e na casa.
O sabor limpo dos alimentos
Uma das coisas que a Dulce refere é a diferença no sabor. No pão de fermentação natural, por exemplo, sente que a água pode alterar o resultado final. Com uma água menos neutra, há por vezes um sabor estranho, uma nota que não pertence ao alimento. Com a água VOA, essa interferência desaparece.
É uma ideia simples, mas importante: quando a água é boa, os alimentos sabem mais a si próprios.
E isto torna-se ainda mais evidente quando falamos de demolhas. Um feijão seco, um cereal integral ou uma leguminosa absorvem água, crescem, mudam de textura e entram no prato já transformados por esse contacto. Como a Dulce diz na conversa, de certa forma, também “comemos água”.
Não nos hidratamos apenas pelo copo. Também nos hidratamos pela sopa, pelos vegetais, pelos cereais cozinhados, pelas leguminosas e pelos alimentos ricos em água. Por isso, a água usada na cozinha importa.
Macrobiótica sem rigidez
Para muitas pessoas, a macrobiótica ainda parece uma lista difícil de regras, restrições e ingredientes complicados. Mas a forma como a Dulce fala dela é mais ampla e mais simples.
A macrobiótica, para ela, não é só alimentação. É uma filosofia que observa a natureza, os ciclos, as estações, a energia dos alimentos e a forma como cada pessoa se relaciona com o mundo à sua volta.
Não se trata de comer igual todos os dias, nem de aplicar uma fórmula rígida a todos os corpos. Trata-se de perceber o que faz sentido para cada pessoa, em cada fase, com as suas necessidades, o seu ritmo, o seu trabalho, a sua energia e a sua condição.
A base pode ser simples: cereais integrais, leguminosas, vegetais da época, fermentados, sementes, alimentos locais, água de qualidade e mais presença na forma de cozinhar. Depois, cada corpo vai dando sinais.
Por onde começar?
A Dulce sugere um gesto muito direto: olhar para a despensa.
Ver o que está sempre presente. O que se repete. O que entra no corpo todos os dias quase sem pensarmos. Pão, massas, bolachas, cereais refinados, açúcar, produtos processados, sal de baixa qualidade, pouca variedade de vegetais, pouca comida de verdade.
A partir daí, não é preciso mudar tudo de uma vez. Pode começar-se por passos pequenos:
- Melhorar a água usada em casa.
- Escolher um bom sal.
- Trocar gradualmente cereais brancos por cereais integrais.
- Usar mais vegetais da época.
- Incluir leguminosas com mais frequência.
- Voltar a cozinhar com mais atenção.
O corpo sente essas mudanças. Às vezes na digestão. Às vezes na energia. Às vezes no humor. Às vezes naquela sensação subtil de estar menos inflamado, menos reativo, mais estável, mais presente.
A água que toca a pele
A conversa também passa para outro lugar: a água do banho.
Se temos cuidado com aquilo que colocamos na pele, faz sentido olhar também para a água que toca o corpo todos os dias. A Dulce fala do shower VOA como uma extensão natural desta consciência: a água do duche toca a pele, o cabelo, é respirada no vapor quente e faz parte de uma rotina diária de cuidado.
No caso dos cabelos encaracolados, ela nota ainda mais essa diferença: no peso, no frisado, na forma como o cabelo responde. Mas a reflexão vai além da estética. É sobre perceber que a água está muito mais presente na nossa vida do que imaginamos.
Está no copo. Na panela. No prato. No banho. Na pele. No cabelo. Na casa.
Escolher melhor, todos os dias
Esta conversa com a Dulce Costa não é sobre perfeição alimentar. Nem sobre fazer tudo bem, sempre. É sobre consciência.
É sobre perceber que as escolhas pequenas — a água que usamos, o alimento que cozinhamos, o sal que escolhemos, o tempo que damos à cozinha, a forma como escutamos o corpo — constroem uma direção.
A cozinha que cura não é uma promessa rápida. É um convite a regressar ao básico com mais presença. Cuidar da alimentação. Cuidar da água. Cuidar dos gestos repetidos. Cuidar do corpo antes que ele precise gritar.
Talvez seja aí que começa uma vida mais saudável: não numa mudança perfeita, mas numa escolha simples, feita hoje, e repetida amanhã com um pouco mais de consciência.
A cozinha que cura começa nas escolhas que fazemos todos os dias
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